Cinzas e carne na tempestade

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Cinzas e carne na tempestade

Mensagem por Jonathan Baratheon em Qui Nov 30, 2017 2:31 am

Já podia ver Ponta Tempestade no horizonte ao fim daquela tarde tempestuosa. A paisagem estava encoberta de nuvens e chuva, nada de anormal. Da base do septo, podia perceber chamas que jogavam fumaça preto-cinzenta aos céus. Seus guardas logo enrijeceram, pois perceberam que aquilo significava apenas uma coisa. Alguém havia morrido.
- Quando chegarmos perto vai começar a feder.- comentou Wham, o maior combatente às ordens de Jonathan Baratheon. Era chamado de “ Terceiro combatente do Pilar”. Se destacava por seu físico impecável e sua genialidade em combate, rivalizando com o próprio Jonathan. De dentro de sua armadura escura, olhava atento a paisagem .
Kars e Ace Dick continuaram em silêncio, pois estavam mais atentos que Wham, que guiava o grupo, seguido de Jonathan e os outros dois na retaguarda. Um grupo pequeno que não chama a atenção. Seus cavalos estavam exaustos da corrida de Pedrelmo. Suas conversas com Koude Swann estavam obtendo progresso.
“Edward Baratheon estaria esperando por eles em Ponta Tempestade ou estaria pouco se importando?” Se perguntou Jonathan. Seus pensamentos convergiam todos na fumaça que subia morbidamente o céu e galgava as nuvens. Teria Edward amadurecido mais que seu finado irmão? “Droga!” Lembrara-se de Ormund Baratheon, sujeito que odiava secretamente mesmo sendo da mesma família. Mas não era hostil contra Edward. Sempre o tratara cordialmente e até amigavelmente.

Corvos se reuniam no réquiem nas telhas, nos telhados e nos muros em volta, deixando o ambiente sombrio aos olhos de qualquer um sob os céus. As pessoas em volta formavam uma barricada intransponível sem que alguém saísse ferido.
Desceram dos cavalos os quatro e deixaram-nos amarrados nos caibros que estavam para isso na praça. As portas do septo estavam abertas, três septões se encontravam às paredes da faxada com expressões de lamúria. Jonathan, amarrando as rédeas de seu cavalo, observava a cena se lembrando do réquiem de sua mãe. Seus olhos vislumbraram por um momento Edward, que se retirava. Wham não havia errado em sua previsão. O cheiro cadavérico fazia perceber que tempo havia passado da morte do corpo incinerado.
Com esses pensamentos, eles abriram passagem lenta no meio dos aldeões que murmuravam em vozes inaudíveis. Visivelmente estavam todos assustados pela morte. Cada vez mais os vilões se reuniam na praça, lotando as vias e bloqueando mais estoicamente as passagens. As pedras da pavimentação estavam molhadas não só pela tempestade como também por sangue.
Chegando mais perto da pira, um dos septões se aproximou do jovem :
- Lorde Baratheon, acaba de voltar de Pedrelmo, por isso não está inteirado, mas ontem à noite nesta praça mesmo, dois homens encapuzados atentaram contra Meister Thawin e seus companheiros, que morreram junto.
- Meister Thawin... - repetiu com um peso na garganta -Mande fechar as portas do septo e dispersar essa multidão.
Voltando sua atenção para a pira, o jovem fecha os olhos numa prece reservada. Meister Thawin havia lhe ensinado a escrever, ler, as artes da diplomacia, remédios e os números. Passara longos dias nas suas lições. Nunca esqueceria do dia em que engolira uma erva a qual não conhecia. O meister ficara desesperado tentando descobrir qual fora a erva. Todas essas memórias reluziram no interior de Jonathan, fazendo a prece se tornar mais difícil de ser feita.

Desde a morte do irmão, Edward Baratheon nunca foi mesmo. Agia impulsivamente, tornado suas ações tanto imprevisíveis quanto perigosas para um lorde.
Isso se confirmou para Jonathan quando, no dia seguinte à morte de Meister Thawin, saiu na direção das cidades livres “ em busca dos assassinos”. Mal o sol havia raiado, Edward sairá e deixara uma carta selada e endereçada à Jonathan Baratheon, denominando-lhe Lorde Baratheon e Senhor de Ponta Tempestade.
Isso soava conveniente para Jonathan, que procurava alguma forma de se aproximar tanto do poder quanto de outros Lordes. Mas o fato de uma semana depois receber um corvo que atestava a morte do inconsequente Edward Baratheon, fruto de um conflito nas ruas de Bravos, a situação ficou longe de conveniente.
Alguns acusaram-no de traição contra o Lorde, outros o apoiavam. Os primeiros eram mercadores que só faziam conversar e nada ajudavam na situação. Os outros eram os cidadãos e moradores de Ponta Tempestade, junto com os vassalos dos Baratheon. Haviam também os que não se importava, que eram camponeses mais preocupados com a colheita que com assuntos de tal natureza.
Foi neste cenário que Jonathan Baratheon assumiu como Lorde Baratheon e Senhor das Terras da Tempestade.

A mesa de carvalho tremia em sincronia com o ritmo da descrita.Consequentemente a taça de vinho e a vela tremulavam junto. A vela iluminava um quarto sombrio e apinhado de livros e documentos. Num canto do quarto jaziam uma espada embainhada e um elmo. As portas e cortinas estavam fechadas.
Jonathan Baratheon escrevia rapidamente. Seus destinatário eram ninguém mais ninguém menos que Alone Hightower, Koude Swann e Brian Tarth. Para o primeiro era enviada uma solicitação de Meister, em especial um conhecido do Jovem Lorde. Para os outros dois, uma convocação para se reunirem em Ponta Tempestade, as cartas para ambos dispensavam justificativas.
Tomou um gole da taça e se dirigiu a cama para despertar apenas na manhã seguinte.
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Jonathan Baratheon
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