Os represeiros de Correrrio

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Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Cecilian Blackwood em Qua Nov 29, 2017 8:37 pm

Cecilian Blackwood






As estrelas ainda se mantinham no céu quando despertei de meu sono, um sonho ruim  veio me consumir em minha cama e agora me despertava com violência de um coração em disparo, expulsando todo sono que estava em mim. Olhei pela janela e vi que o sol ainda não raiava, mas o céu clareava em rajadas de laranjas e amarelos que surgiam por trás das colinas. Em alguns instantes, todos do castelo viriam a começar os afazeres do dia, e logo minha nova dama entraria pela porta com o seu sorriso simplório quase imperceptível de todos os dias.

Nos primeiros dias em Correrrio, tudo soava como algo passageiro, parecia que estávamos apenas cumprindo os deveres até acharem um Tully que pudesse assumir, fazíamos com êxito, mas não parecia ser algo que nos pertencesse. O castelo, as responsabilidades, os servos. A qualquer momento parecia que todas as coisas voltariam ao normal, e muitas vezes essa era a razão das minhas preces aos Deuses Antigos.

Entretanto os dias passaram, e o quarto que era da bastarda Tully se tornou o meu quarto assim como todas as criadas mulheres, as responsabilidades e as últimas palavras se tornaram de Tristan, os soldados e toda patrulha passaram a ser de Ethan. Com o passar das semanas percebemos que não voltaríamos para Solar Corvarbor, onde ainda chamávamos de lar, mas que agora o nosso lar era Correrrio.

Ouvi o trinco da porta ranger o qual tinha um som irritante, olhei em direção da porta e me deparei com a minha dama e outras três servas com os baldes com água morna, ela arregalou os olhos ao me ver desperta e sentada em frente ao espelho por alguns instantes.
-Bom dia, m’lady. – Disse ela com seu sorriso simplório.
-Bom dia. – Disse enquanto desfazia o laço de minha roupa.

Levantei-me no retirar de minha roupa para que elas me banhassem com os seus panos encharcados de água retirando um pouco do meu suor e me perfumando com as essências colocadas nas águas. Elas prenderam meus cabelos e passavam levemente seus panos pelo meu corpo, uma delas era nova e parecia estranhar cada cicatriz nova que encontrava em minhas coxas e na altura do torso.
-São de treinos e lutas. – Disse à nova criada.
-Perdão, m’lady. – Respondeu ela cabisbaixa.
-Não se preocupe, eu não apanho de meus irmãos.

Ao terminar minha frase, as damas tornaram com os panos secos para me secar. Entretanto, a porta de meu quarto não foi trancada, sendo aberta com certa violência por Ethan, fazendo com que as damas me cobrissem com os panos e se colocassem em minha frente.
-Só sabe espancar as suas prostitutas e não sabes mais bater em portas, meu irmão? – Perguntei a ele. – É apenas meu irmão, voltem a me trocar. – Ordenei.

As damas vieram com as vestimentas enquanto Ethan iniciava sua conversa, colocaram minhas roupas de baixos, apertaram minha cintura, jogaram um vestido azul claro com detalhes em prata sobre meu corpo fechando cada fecho dele, sentaram-me em frente ao espelho e pentearam uma linda trança em todo cabelo.

Quando terminaram, parti com Ethan para o encontro de Tristan, que se encontrava ao pátio, para que esperássemos a chegada do meu irmão Tymo que estava prevista para aquela manhã. Ele trazia consigo Olya e Edwin, e também a minha dama que havia deixado para cuidar de sua noiva que estava doente.

Sentia uma enorme falta de Tymo, muitas vezes andei vagamente pelo castelo lembrando de algumas brincadeiras que fazíamos em Solar, senti falta principalmente de sua proteção comigo, como quando tinha pesadelo e ele vinha dormir comigo, ou quando abria mão de algo para me atender.

O coração palpitou, descontrolou-se, quando vi o portão descer e os estandartes de nossa casa se aproximando, distante podia ver sua armadura reluzir e seu jeito de cavalgar junto do arco posto as costas. Sorri. Alegrei-me. E agradeci aos Deuses Antigos por sua chegada.

Deuses Antigos ouvi-los.


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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Tymo Blackwood em Qui Nov 30, 2017 3:43 am

Ethan Blackwood

Enxuguei o suor de minha testa enquanto caminhava, deixando com que a ponta de meus dedos tocassem levemente as paredes de pedra que compunham o corredor ao qual eu atravessava. Estava estranhamente ansioso ultimamente, muito por conta dos repentinos eventos que haviam ocorrido em um espaço de tempo tão curto. Tornei-me o Chefe da Guarda do Protetor do Tridente, servindo agora a meu irmão Tristan. Assumi um cargo de extrema responsabilidade sem ao menos compreender por inteiro a função. Não que não soubesse o que deveria fazer, a questão não era essa. Ainda não entendia a razão de ter de fazer aquilo.

Minha cota de malha recoberta pelo aço de minha armadura me tornava altivo ante o meu séquito, aparência mais do que suficiente para que conseguisse contornar tais dúvidas que ainda pairavam em minha cabeça. Mas estava vazio por dentro. Por mais que tentasse preencher essa sensação com o álcool e o calor das prostitutas, nenhum prazer mundano era suficiente para me fazer sentir completo.

Será que havia desapontado os Deuses Antigos?

Tentei tirar esses pensamentos da cabeça, mas logo fui bombardeado por outro. Cecil. Ainda me via constantemente sendo perseguido por ela em meus pensamentos, em meus sonhos, nos rostos das prostitutas que se deitavam comigo. Estava sempre sorrindo nesses devaneios, sempre me olhando com escárnio, em um misto de provocação e asco quase indistinguíveis. Começava a achar que poderia ser um sinal dos Deuses, mas se realmente fossem, ainda estava longe de conseguir compreendê-los.

Respirei profundamente e segui caminhando, os passos ecoando no corredor. Estacionei então em frente a entrada do quarto de minha irmã. Quantas vezes já não havia feito esse mesmo maldito trajeto, e quantas vezes não havia me visto de encontro a porta, dando meia volta após perceber a estupidez de meus atos. Mas naquele instante era diferente, havia razão para tal. Recostei os dedos sobre a porta, empurrando-a com força e adentrando o recinto.

Ela estava nua, sendo vestida por suas damas. Olhou-me e me refutou de forma ácida, pedindo às moças que prosseguissem com o seu trabalho. Já a conhecia tempo o bastante para esperar por aquilo, mas ainda assim, senti uma leve tensão no pescoço, percorrendo minha nuca.
Inevitável também fora não fitar o seu corpo, tão belo e tenro, límpido após o banho. Vestia-se todo em um azul claro, que exaltava ainda mais sua pele. Meu rosto esquentara instantaneamente, cerrei os olhos por míseros instantes, retomando o foco de outrora. Como de costume, resolvi provocá-la em meu comentário.
Nenhuma delas jamais reclamara de meus modos, cara irmã. – Abri um leve sorriso. – Muito pelo contrário, inclusive.
Cecilian seguira de costas para mim, as damas finalizando o seu trabalho. Não pude ver se ela exprimira alguma reação a meu ato jocoso, mas palavra alguma saíra de sua boca.
Limpei a garganta e decidi revelar a verdadeira razão de ter me dirigido até os seus aposentos.
Os estandartes dos Blackwood estão a caminho. Logo Tymo estará aqui, como prometido. Ele está trazendo Olya e Edwin consigo. Além disso, a sua dama, que outrora servira a Sophitia também está sendo trazida até aqui.

Cecil então se virara, me olhando com um sorriso que parecia não caber em sua face. Senti-me satisfeito com aquela reação. Não era por menos, Tymo sempre a tivera como protegida, o que os tornava extremamente próximos.
Vamos, irmã, não temos tempo a perder. Quando o símbolo de nossa casa for avistado no horizonte, já deveremos estar no pátio, aguardando por eles. Deve ser logo.

Ela apenas meneara a cabeça positivamente, deixando que suas damas finalizassem o trançado em seus cabelos, o que só a deixara ainda mais bela. A passos acelerados, seguira a meu lado enquanto nos dirigíamos até o pátio, no intuito de aguardar pela chegada de nosso irmão. Tristan já estava lá, envolto em toda a sua postura de Guardião do Tridente. A posição parecia ter caído como uma luva sobre ele, o que só fazia com que meus devaneios e questionamentos se tornassem ainda mais insignificantes.

Tristan, Tymo, Cecil. Seria eu único Blackwood ainda perdido? O que nossos antepassados achariam disso? Provavelmente cuspiriam sobre minha face, renegando a mim o nosso próprio sangue.

Olhei para minha mão direita. Estava tremendo levemente. Precisava urgentemente de uma bebida.

Depois de certo tempo de espera, avistamos finalmente a aproximação do cavalo de Tymo, a frente dos demais que traziam minha cunhada e sobrinho. Sua armadura prateada reluzia a luz do sol matinal. Estava pomposo, altivo, se dirigia até nós com uma postura digna de Senhor de Solar de Corvabor.

Estava contente por ter de novo a família reunida. Talvez a união dos Blackwood me ajudasse de alguma forma a enfrentar os demônios que agora me assolavam. Nunca havíamos nos separado, e fora isso ocorrer que tudo parecera debandar. Depois de todos os problemas políticos que havíamos enfrentado, desde que Correrrio praticamente caíra sobre os nossos colos, um breve momento de calmaria se instaurou. Mas, sinceramente, não saberia dizer se por muito tempo.

Temia que uma peça pudesse desencaixar, fazendo com que tudo caísse.

Mas aquele não era o momento para pensamentos ruins. Tínhamos finalmente uma boa nova. Assim que descera do cavalo, todos nós nos aproximamos dos recém-chegados, prontos a recebê-los com afeto.

Depois de abraçar Cecilian com carinho, trocando algumas palavras das quais não pude distinguir, Tymo se dirigira até mim, abraçando-me e me dando alguns tapas nas costas. Segurou-me pelos parietais, encarando-me nos olhos.
Chefe da Guarda. – Disse sorrindo.
Lorde Blackwood. – Respondi.

Ele gargalhara, voltando a me abraçar com afeto.

Os irmãos estavam reunidos novamente. Os Blackwood se tornariam ainda mais fortes, podia sentir isso.

Deuses Antigos, ouvi-los.

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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Tymo Blackwood em Qui Nov 30, 2017 2:32 pm

Tymo Blackwood

A saída de Solar de Corvabor fora tranquila. Finalmente havia chegado a hora de deixar aquelas terras, as terras onde fomos criados, onde nossa casa prosperara por tantos anos. Mas havia um quê de sombrio em minha saída. Uma das damas de confiança de Cecil cavalgava a nosso lado, sorumbática. A moça havia sido encarregada de servir Sophitia, minha prometida e futura esposa. Não havia mais razão para tal. A bastarda falecera, vítima de uma mazela ainda inexplicável.

O luto não tomava o meu peito. Não sentia o peso de perder minha amada, pois Sophitia não era minha amada. Casamentos por conveniência costumam ser comuns, portanto, nem sequer poderia ser cobrado por uma postura mais sensível. Ela morrera jovem, o que era realmente uma pena. Jamais lhe desejaria tal fim, mas de fato, não choraria sua perda como um viúvo. Senti muito mais como a perda de uma vida, do que como a perda de uma futura esposa.

Que os Deuses a tomem em seus braços. Clamei, suspirando.

O caminho fora bastante cansativo. A partida a Correrrio fora adiada algumas vezes, após a grande celeuma que por lá se instaurara. Primeiro foram os Tully, depois o julgamento dos abusadores, o desaparecimento do Greyjoy, tantos eventos em um espaço tão curto de tempo. Mas agora, finalmente chegara a hora de reencontrar meus irmãos.

Olya, esposa de Tristan, trazia consigo o pequeno Edwin, que parecia não ver a hora de reencontrar o pai. Ah, já fazia tanto tempo. Pensava comigo mesmo como estariam meus irmãos. Senhores do Tridente agora. Honrando o nome Blackwood. Um novo tempo parecia estar nascendo. Um tempo abençoado pelos Antigos Deuses.

Mas de todos os sentimentos, de todas as sensações e, de toda a saudade possível de ser sentida, uma elevava-se em meu peito com profusão, muito acima das demais. Pensara em Cecil durante todo o trajeto. Imaginava o seu rosto, o seu sorriso. Pensava em como estaria agora, em como havia lidado com tantas atribulações. Não que ela precisasse de proteção, mas sempre me senti como o seu protetor, e ela como minha protegida. Relembrava nossos momentos em Solar, das brincadeiras de criança às noites em que dormíamos juntos por conta de algum sonho ruim. Não posso dizer que era uma nostalgia. Aquilo que me assolava era bem diferente.

Retesei as costas e acelerei, cavalgando ainda mais rápido em direção as novas terras.

Os estandartes dos Blackwood foram erguidos, anunciando no horizonte a chegada do Lorde de Solar de Corvabor. Estava vestido em um aço reluzente, por inteiro, sobreposto a uma cota de malha. Aproximamos-nos ainda mais, e os grandes portões foram abertos. Meus olhos de imediato se encontraram com a imagem de meus irmãos no pátio, aguardando por nós de braços abertos.

Meus olhos de imediato se encontraram com a imagem de Cecilian.

Ela estava linda. O cabelo trançado de forma delicada, como se os próprios Deuses os tivessem acarinhado. Cobria o corpo com um vestido azul claro, com detalhes em prata que brilhavam ante a luz natural no pátio. Fazia um tempo que não nos víamos, e mesmo assim, o seu sorriso, aquele sorriso, não deixara um segundo sequer minha mente. Admirava-a como uma bela e enigmática pintura.

Cecil estava estonteante.

Nem sequer havia notado a presença de meus irmãos, Tristan, o Protetor do Tridente, e Ethan, o seu Chefe da Guarda. Ambos pareciam felizes com a minha chegada, mas o mais velho dos Blackwood só tinha olhos para sua esposa e seu filho. Olya e Edwin correram de encontro ao pai, afagando-o.

Desci do cavalo e me dirigi até eles. Sentia um calor tomar conta de meu peito, como se o envolvesse por completo. Acelerei bobamente os passos, deixando um pouco a postura de Senhor de lado, para abraçar minha irmã. Apesar do aço que me cobria, consegui sentir o seu calor assim que seus braços envolveram o meu corpo, em um abraço apertado e carinhoso, correspondido no mesmo instante e com a mesma intensidade.

Meu coração disparara no peito, batendo tão forte quanto um tambor de guerra. A respiração estava levemente sobressaltada, e naquele momento, conseguira perceber que havia perdido o controle sobre minhas próprias emoções. Logo eu que sempre tentara me manter reticente, me vi como uma criança novamente.

Ela nada dissera, e nem precisara. Toquei o seu rosto delicado com a ponta dos dedos, deslizando sobre as maçãs de sua face até a ponta do queixo. Ela me olhava nos olhos, penetrantemente, como se pudesse ter acesso a minha alma com aquelas íris. O sorriso estava fixo em seu rosto, a felicidade do reencontro emanando sobre nós. Mas era diferente. Sim, finalmente me dera conta de que era diferente.
Cecil, você está ainda mais linda. Nem mesmo em meus sonhos conseguia vê-la tão estonteante quanto agora. Esperei muito por esse momento. – Disse, quase em um sussurro.

Ela desviara levemente o olhar. Percebi que ruborizara.

Aproximei então o meu rosto, recostando minha testa a dela. Podia sentir sua respiração muito próxima, ofegante. Sua boca estava a poucos centímetros, e seus olhos fechados. Nossos batimentos pareciam ter sincronizado. Éramos um naqueles poucos segundos. Não havia mais ninguém entre nós.

Fomos interrompidos pelo pueril grito de felicidade de Edwin, que agora se encontrava no colo de Tristan, o girando no ar, arrancando gargalhadas da criança. Eu e Cecil sorrimos com a cena, igualmente contentes. Senti então que deveria cumprimentar meus irmãos e, por mais que não quisesse, precisei interromper o meu momento com Cecilian. Beijei sua testa e me dirigi até Ethan, que aguardava por mim em seus trajes de Chefe da Guarda.

O abracei forte, dando alguns tapas em suas costas.
Chefe da Guarda. – Exclamei enquanto o segurava pelos parietais.

Estava orgulhoso de meu irmão mais novo. Uma grande confiança fora depositada nele quando Tristan o nomeara chefe de sua guarda. Acreditava piamente que aquilo poderia fazê-lo amadurecer enfim.

Caminhei então finalmente em direção a Tristan que, sorridente, também me recebera em um abraço. Tinha uma sintonia especial com o mais velho. Éramos como parte da mesma peça, sem o outro, a mesma não se encontrava completa. Mais do que nunca, senti que estaríamos mais fortes agora.

O sorriso fora lentamente abandonando o seu rosto, e a figura se transmutando, deixando de ser apenas o irmão que não via há tempos, para se metamorfosear também no Protetor do Tridente. Sorumbático, me encarara nos olhos, e naquele momento senti que tinha algo importante a me relatar.

Limpei a garganta e me preparei para receber as novas. Mentalmente fazia uma prece para que toda aquela bonança não nos deixasse.




Deuses antigos, ouvi-los.

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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Cecilian Blackwood em Ter Dez 05, 2017 1:55 am

Tristan Blackwood



O amor novamente me preencheu, peguei o pequeno Edwin em meus braços enquanto ele andava em seus passinhos vagarosos em minha direção. Olya veio em minha direção timidamente para pegá-lo. Enquanto eu o entregava, beijei-a em seus lábios os quais continuavam doces. A saudade não me consumia mais, e a vontade de estar com eles era ainda maior, porém eu tinha grandes razões para trazê-los, principalmente o meu irmão Tymo.

Pedi para que uma das servas levasse Olya e Edwin aos aposentos; e acenei aos meus irmãos que me seguissem. Seguimos em passos constantes e rápidos para o Bosque Sagrado de Correrrio, encontrando uma árvore-coração que era um represeiro de feição triste, muito menor do que tínhamos em Solar Corvabor, mas que, ainda sim, trazia-nos para mais perto de nosso lar e principalmente de nossos Deuses.

Eles se firmaram um ao lado do outro, e passaram a me observar com um olhar diferente, pareciam meticulosos, fitavam-me com o mesmo olhar que costumávamos dar ao nosso pai. Senti, pela primeira vez, que eu tinha poder sobre eles. Não que isso fosse algo o qual eu usaria para me vangloriar, mas que eles tinham respeito referente à minha posição. Sentei-me na ponta da mesa e deixei o silêncio pairar por alguns instantes até perceber que seus olhares confusos entre si.
-Deuses Antigos ouvi-los. – Declarei.
-Deuses Antigos ouvi-los.  – Repetiram eles em um único coro.
-Fomos criados para obedecer, e fomos muito bem criados para isso. Nossos pais se dedicaram a nunca sermos ambiciosos e, principalmente, sermos fiéis ao nosso Lorde Protetor. Pela nossa fidelidade no passado, hoje colhemos o fruto do poder, somos uma casa Protetora do Tridente, além de termos nossas terras em Solar Corvarbor. – Dei uma pausa. – Mas no passado, fomos reis e rainhas de nossas terras, não precisávamos tomar partido de príncipes e princesas que chegam a nossas terras e derramam sangue sem piedade, cagam nela e ainda usam nossos homens para limpar toda merda que fazem em nossa região. Só se lembram de nossa região quando precisam roubar os nossos mantimentos ou estuprar nossas mulheres. Não podemos mais deixar as coisas como estão.
-O que está sugerindo, m’lord? – Perguntou Cecil enquanto franzia sua testa.
-Estou sugerindo independência, minha irmã. Estou dizendo que, eu irei me proclamar Rei do Tridente.

O silêncio tomou o ambiente, eles pareciam estar engolindo a situação como quem engole um bolo de carne sem tomar um gole de vinho, estava sendo devagar e sufocante. Mantive meus olhos neles, medindo cada comportamento, observando cada gesto e sabia que haveria apoio deles.
-Não temos poder belicoso. – Comentou Cecil. – Como acha que iremos conseguir apoio? E os Bracken? Acha mesmo que nos apoiarão nessa questão?

De todos nós, Cecil era a mais cuidadosa, seus questionamentos não demonstravam que ela era contra a sugestão, ao contrário, demonstrava o interesse dela em relação ao assunto. O fato dela não questionar seria algo preocupante para mim. Naquele momento, ouvir sua voz era o que mais me agradava, pois de todos os irmãos, ela era mais rígida com assuntos desse porte.
-Você tem razão, Cecil. Não temos poder belicoso, porém, somos ensinados nas Terras Fluviais que não são homens e armas que costumam ganhar uma guerra, e sim casamentos. Eu não posso mais me desposar de nenhuma mulher, mas eu tenho vocês para que possam firmar alianças através do matrimônio. – Tomei fôelgo e continuei. – Os Bracken tem uma filha caçula da idade de Ethan, eu a cahonheci, tem uma beleza admirável. Se casarmos Ethan com a Lady Carolyn, será um tratado de paz não somente de nós entre os Bracken, mas de todos nas Terras Fluviais. Acredito que teríamos a admiração e fidelidade de todos. – Concluí. – Desejo que se casem bem para que tenhamos apoio de outras casas, e assim conseguiremos realizar não somente meu objetivo ou dos Blackwood, mas de todas as casas das Terras Fluviais.

Não era de o meu feitio falar muito, fomos criados para sermos objetivos e descritivos nos assuntos. O fôlego estava escasso e minha voz um pouco gasta pela secura da garganta, porém ainda saíram por entre os meus lábios, como um murmúrio, preces aos Deuses Antigos em meio ao silêncio dos meus irmãos.
-Para a glória de vós, Deuses Antigos, que toda terra em que eu tocar ou toquei com a planta dos meus pés, torne-se regida por mim como Rei do Tridente – Pedi.



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Última edição por Cecilian Blackwood em Qua Dez 06, 2017 1:39 am, editado 1 vez(es)
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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Tymo Blackwood em Ter Dez 05, 2017 2:10 am

Tymo Blackwood

“Não são homens e armas que costumam ganhar uma guerra, e sim casamentos.”

Tristan dissera com a firmeza do Lorde Protetor que agora era, e ante isso, todos nos calamos. Olhei para Ethan, para o meu jovem irmão que até pouco me abraçara efusivamente quando nos reencontramos no pátio. Suas feições agora estavam sorumbáticas, profundamente despidas de qualquer bonança. O garoto parecia decepcionado e perdido ao mesmo tempo.

Aprumei minhas costas, sentindo um incômodo profundo. O clima parecia ter mudado em Correrrio, e os momentos de alegria vividos minutos atrás pareciam agora apenas momentos passados, tão longínquos que já começavam a perder a importância. Entendia agora o motivo do chamado, entendia agora as expressões firmes e de certo modo sisudas de meu irmão gêmeo, entendia a troca de olhares com Cecil. Ela também parecia digerir lentamente o que acabara de nos ser dito.

Ante a legitimidade do poder de Tristan não havia e nem haveria discussão. O que fora dito estava dito e não seria mais desfeito. Estávamos dando um passo rumo a algo muito maior, muito maior do que eu mesmo jamais conseguira imaginar. Uma história longeva de fidelidade a nossos Lordes Protetores, ao mesmo tempo em que um passado glorioso, distante, nos rodeava a mente desde a infância, naquilo que nos era passado nos contos narrados. Agora, estávamos no limiar entre deixar o estado de submissão, e reescrever nossos passos, retomando as conquistas de outrora.

Seríamos independentes. Viveríamos os contos que já sabíamos de cor.

Não seria fácil deixar o campo das palavras para tornar tal projeto palpável, mas eu sabia que Tristan possuía cartas nas mangas, conseguia ler os seus olhos, não me esconderia nada. De fato parecíamos ter alcançado um limite, empurrados contra a parede de modo a termos de fazer uma escolha entre duas possíveis: mantermos nossa submissão enquanto assistíamos o passar dos anos sem a certeza de quando precisaríamos tomar partido em algum embate sem sentido, pura e simplesmente por vassalagem, ou então tentaríamos a independência, o que poderia nos custar muito, até mesmo tudo, mas caso fosse feito, nos transportaria de volta ao tempo em que fomos reis e rainhas de nossas terras, únicos senhores de nós mesmos.

Meu irmão não estava louco. Os Deuses estavam conosco, guiando as decisões de nosso Lorde, portanto, se ele havia alcançado tal conclusão, não havia feito isso sozinho. Não poderíamos, portanto, discordar. Olhei para Cecil e imaginei todas as implicações que essa guinada poderia gerar. Ela e Ethan casariam por conveniência, e talvez eu mesmo o fizesse. Pelos Blackwood, por nossa casa, por nossa história, por nossa liberdade. Todavia, era muito difícil não me perder em devaneios a respeito do nosso destino.

Cecilian era minha luz, tão forte e inquebrável que homem nenhum jamais seria digno de desposá-la. Seja lá o que tivesse de ser feito, não seria fácil para nenhum de nós. Os tempos dos sacrifícios pareciam ter chegado, e agora, só conseguia pensar no quanto os Deuses pareciam nos testar com o jogo de tabuleiro que haviam acabado de iniciar. Cada movimento de peça determinaria um destino.

Muito pesaria sobre os ombros dos Blackwood a partir de agora.

Com a voz imposta, Tristan finalizara o seu discurso, e após as primeiras intervenções de Cecilian, ninguém mais se manifestara. Ela e Ethan se retiraram lentamente, caminhando enquanto muito provavelmente se esforçavam ao máximo para manter a firmeza ante o turbilhão de novidades lançado sobre nós.

Mas o olhar de Tristan não me deixara sair. Compreendi do que se tratava e, após nossos irmãos deixarem o recinto, aproximei-me de meu gêmeo. Estávamos os dois, frente a frente. Respirei profundamente enquanto aguardava com certa ansiedade a razão do Lorde Protetor do Tridente ter me solicitado para uma conversa a sós.

Ele então finalmente se manifestara.

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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Cecilian Blackwood em Ter Dez 05, 2017 3:16 am

Tristan Blackwood


Deixei que Cecil e Ethan saíssem da minha presença, entretanto mantive Tymo perto de mim para uma conversa a sós. Eu tinha algo para lhe falar, um receio que corroia meu coração. Algo que por anos deixei acontecer, mas que agora eu precisava tomar uma decisão firme perante tal comportamento dele em relação a nossa irmã, Cecil.
-Eu admiro muito o fato de sermos unidos, fomos criados para sermos exatamente do jeito que somos, e guardamos esse ensinamento de nossos pais. Por sermos unidos, eu conheço cada um de vocês. Principalmente você, meu irmão. Afinal, dividimos o mesmo ventre por quarenta semanas – Aproximei-me dele. – Eu sei que Cecil na primeira oportunidade de fugir de um casamento, ela correrá para seus braços, assim como Ethan correrá para os braços dela quando conhecer Lady Carolyn. Porém, você, entre os três, é o pior nesse quesito. E isso me preocupa. – Continuei a encará-lo diretamente nos olhos mantendo a voz firme e serena. – Haverá um torneio no Jardim de Cima e vocês estarão presentes. Será a chance de Cecil conhecer um Lorde de uma Casa que possa nos dar suporte, e eu espero que você entenda que está para ser irmão dela e não seu amante. – Dei uma pausa. – Achas que não vejo teus olhares a admirando como deveria admirar outra donzela qualquer. Deveria se envergonhar do que sente.

Pude sentir sua respiração um pouco mais acelerada, sentia o ar na altura de meu queixo pela nossa diferença de altura.
-Responderei referente a presença de vocês no torneio. – Afastei-me um pouco. – Se eu souber de qualquer intervenção sua em algum cortejo que possa ser promissor a nossa família. Eu juro perante aos Deuses Antigos que eu mesmo irei puni-lo. Principalmente se eu souber de algo imoral vindo de vocês dois.

A garganta estava seca, mas novamente tive que me prolongar em meus discursos.
-Estamos entendidos? – Perguntei. – Agora saia da minha presença e aproveite o banquete. Amanhã, vocês partirão para Jardim de Cima.

Nunca gostaria de ter chegado a esse ponto, mas temia por uma maldição que pudesse cair sobre nossa família. Ouvia falar de tais praticas entre irmãos vindos da Casa Martell, e não gostaria que sua família envergonhasse aos Deuses por tais atos imorais. Culpo meus pais pela idealização de mulher perfeita que foi imposta aos meus irmãos, entendo que eles a criaram para provar que estavam certos, criaram a minha irmã para que seus egos fossem inflados e deixaram que os meus irmãos criassem sentimentos impuros sobre ela, através do que foi ensinado sobre as mulheres. Admirava minha irmã, mas jamais desejei uma mulher como ela ao meu lado.  

No caminho para os meus aposentos, encontrei o Meistre, ordenei a ele que respondesse a carta do Jardim de Cima confirmando a presença de meus irmãos, quanto a mim, ficaria em Correrrio com a minha família para estabelecer as alianças. Ordenei a ele que também enviasse uma carta para os Bracken para que fosse possível o encontro entre Ethan e Carolyn.
-Que as vontades dos Deuses Antigos sejam feitas. – Declarei.

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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Tymo Blackwood em Ter Dez 05, 2017 7:56 pm

Tymo Blackwood


Não disse uma só palavra durante todo o monólogo de Tristan. Mantive os olhos fixos nos seus, mas meus lábios não se moveram uma única vez. Senti sua respiração próxima, enquanto toda a sua face parecia me desafiar. Ali ele não era apenas o meu irmão, mas também meu Lorde. Falara tudo o que eu não gostaria de ouvir. O que eu tentava de toda forma arrancar da mente, fingindo que não existia.

Desmontara todas as minhas defesas e me atingira da forma mais mortal que alguém poderia naquele momento. Suas palavras atravessaram minha armadura, atingindo-me em cheio, bem no meio do peito. Não haveria resposta que pudesse ser dada. Não havia o que ser dito e nem feito.

Meneei a cabeça positivamente, recebi o sinal para que me retirasse e assim o fiz. Estava tonto, respirava de forma intensa e sentia todo o meu corpo ruir. Tudo o que havia negado, tudo contra o que lutara com tanto afinco fora simplesmente jogado sobre minha cabeça, de uma única vez e sem piedade. Toda a verdade, por mais doentia que pudesse soar, ganhara agora corpo e forma. De certa maneira, sair da negação me fizera finalmente entender tudo o que estava ocorrendo. Tudo o que sempre ocorrera.

Tristan me mostrara o mundo tangível que eu fingia não enxergar. Tudo estava tão claro agora.

Contudo eu não sentia culpa, não me sentia sujo como suas palavras sugeriram, não me sentia desonrando minha família, nossa casa. Sabia o meu lugar e sabia o lugar de Cecil e, pelos Deuses, jamais faria algo que os decepcionassem. Ou pelo menos tentava me convencer disso. Eu queria sentir culpa, queria arrancar aquilo, queria simplesmente enxergar as coisas com a sabedoria de Tristan, do Lorde Protetor do Tridente, mas... Eu não conseguia. Não conseguia ignorá-la, e não conseguia ignorar o palpitar de meu coração, as mãos suadas, a inquietação, o calor em meu peito a cada abraço... Pelos Deuses, o que estaria acontecendo comigo?

Meu irmão tinha razão, eu precisava deixar tudo para trás, precisava seguir o meu caminho e deixar Cecilian seguir o seu. Casaríamos por conveniência, assim como eu já o faria com Sophitia, se minha jovem ex-noiva ainda estivesse viva. Minha irmã, minha luz, se casaria com algum nobre de uma casa grande, em uma negociata que provavelmente teria o seu início no torneio ao qual iríamos. Sim, esse era o nosso destino. Tudo o que o tempo plantara em meu peito precisaria morrer antes da época da colheita.

Mas as raízes já pareciam tão profundas... Tão fixas que nem mesmo o mais forte dos homens poderia arrancar.

Precisava ser feito, precisava ser superado. Nossa independência dependia disso, e isso agora deveria ser colocado acima de qualquer coisa. Era a vontade dos Deuses. Era a vontade dos Deuses.

Repetiria isso até me convencer.

Caminhei pelos corredores, e logo me deparei com Cecilian, estacionada ante uma coluna, me aguardando retornar da dura conversa que havia acabado de ter. Ela parecia hesitante, preocupada, como se soubesse do que se tratava, como se sentisse a mesma inquietação que eu sentia em meu interior. Seus olhos fitaram os meus em uma colisão que parecera gerar fogo. Não consegui fitá-la, talvez não conseguisse mais. Minha vontade era de abraçá-la, de tomá-la em meus braços, pois agora eu sabia que era justamente o que queria. O véu que recobria meus sentimentos havia sido arrancado por Tristan, e agora eu me sentia nu por dentro, totalmente exposto, com os sentimentos em carne viva.

Vi empatia em Cecil, vi-me em minha irmã. Será que ela estava passando pelo mesmo que eu? Estaria ela tomada pelos mesmos demônios, pelas mesmas dúvidas? Seus lábios tremelicaram e ela tentara se aproximar, como se quisesse saber o que estava acontecendo. Ela me conhecia tão bem. Fomos tão próximos por tanto tempo que cada olhar, em seus mínimos detalhes, ganhava um significado, significado esse sempre conhecido por ela.

Desviei o olhar e acelerei os passos, deixando-a para trás enquanto balbuciava algo direcionado a mim. Precisaria ser assim a partir de agora. Pelos Deuses. Pelo Tridente. Por Correrrio.

Pelos Blackwood.

Era assim que deveria ser...

Segui meu caminho, precisava me preparar para o banquete. Tinha muito o que pensar, muito o que decidir. Minha mente borbulhava em um milhão de pensamentos, e em meio a todos eles um único parecia engolir os demais.

O que faria sem aqueles olhos? O que faria sem Cecilian?

Era assim que deveria ser.

Precisava ser...

Mas não era como eu queria que fosse.

Deuses Antigos, ouvi-los.

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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Cecilian Blackwood em Qua Dez 06, 2017 1:26 am

Cecilian Blackwood


O banquete em homenagem a chegada de meu irmão estava a postos, porém minhas damas ainda me mantinham em meus aposentos, eu havia treinado naquela tarde para me desprender do que Tristan havia discursado e me atrasei para começar a me aprontar. Em todo o seu discurso, o que me amedrontava não era nomear Tristan como Rei e suas conseqüências, mas o casamento por conveniência. Convivemos com os nossos pais apaixonados um pelo o outro, um casamento que surgiu do amor. Senti-me levemente frustrada, mas reconhecia Tristan como meu Rei a partir desse momento, eu era sua irmã e obedecia a ele, somente ele, o qual foi escolhido pelos Deuses para ser o nosso Rei.
-Está ansiosa para amanhã? – Perguntou Julliety Rivers, a dama a qual havia chegado com o meu irmão de Solar Corvabor.
-Não sei ao certo. – Respondi.
-Haverá muitos Lordes para admirar sua beleza. – Afirmou a outra dama.  – Acredito que voltará com muitas promessas de casamentos, m’lady.
-Quem sabe... – Disse.

Novamente, eu estava trocando minhas vestimentas e passando por aquele ritual; cintura apertada, o vestido dourado colocado em meu corpo, as damas fechando cada fecho e as jóias separadas de mesmo tom do vestido. E finalmente, eu estava pronta para descer e aproveitar o banquete que meu irmão, Tristan, havia organizado.

Desci vagarosamente e encontrei Olya pelo caminho com o pequeno Edwin em seus braços. Estava crescendo tão forte e saudável, reconhecia que Olya estava fazendo um bom trabalho como mãe do nosso futuro herdeiro, futuro Rei dessas terras. Entretanto, Olya sabia ser desagradável com as suas feições quando nos aproximávamos do garoto com futuros objetivos com o menino.
-Como vai o nosso futuro Rei? – Perguntei pegando ele em meus braços.

Olya revirou os olhos e quis tomar novamente Edwin dos meus braços. Ela estava convicta que tinha razões para agir de tal modo comigo, parecia nervosa e agitada com que eu havia dito a respeito de nosso pequeno Edwin.
-O que há de errado, Olya? – Afastei-me com ele para que ela não o pegasse de volta.
-Mal chego nesta casa e vocês querem tomar minha paz! – Gritou ela com a face enrubescida.
-Vocês?! – Disse.  – Por acaso, virastes um barril de vinho sozinha?
-Querem tomar meu filho e ainda dão suporte ao irmão de vocês para insanidade que ele está planejando. – Disse ela querendo tirar o menino de meu colo.

Não ouvi nenhuma aproximação, porém senti o pesar da mão de Tristan sobre o meu ombro, quando me virei em sua direção, ele retirou o pequeno Edwin de meus braços para acalentar o menino que começava a querer chorar e balbuciar de sono. Ele não disse uma única palavra, apenas pegou o garoto e olhou para a Olya com certo desprezo, passou por ela e seguiu em direção a sala de jantar.

Antes que ela começasse a segui-lo, puxei-a pelo braço com força e a coloquei na parede. Olhei em seus olhos e disse:
-Você quem escolheu se casar com o meu irmão, e é sua função apoiá-lo como esposa e futura Rainha dessas terras. Se você queria paz, que se cassasse com um aldeão. Agora não me venha com esse sentimentalismo para enfraquecer meu irmão sobre essa idéia, caso ousar em se intrometer nisso usando o meu sobrinho. Eu juro que quando ele for Rei, não será você quem reinará junto dele. Coloque-se como esposa e Rainha, ou eu e meus irmãos colocaremos outra em seu lugar.

Soltei-a e notei a raiva crescer enquanto me fitava pelo canto dos olhos. Ela era fraca, podia ser quem meu irmão amava, mas não era de quem meu irmão precisava. Uma esposa fiel, forte e destemida, era disso que meu irmão precisava para conquistar suas terras, e não uma mulher que eu fizesse desistir dos ideais; ideais os quais não eram dele, mas, sim, a vontade dos Deuses Antigos sobre as Terras Fluviais.

Adentrei a sala de jantar e me sentei ao local era próximo de meu irmão Tymo. Desejava sua presença perto de mim e, principalmente, entender o que havia acontecido após a conversa que ele tivera com Tristan. Acariciei sua mão, mas ele não me pareceu muito agradável a tal gesto, recolhi rapidamente a minha mão.
-Está tudo bem? – Perguntei com um sorriso amigável.

Continuei a fitá-lo esperando uma resposta, mas não saiu uma única palavra por entre seus lábios. Respirei fundo e me voltei para comida servida demonstrando certa desaprovação por suas atitudes comigo. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que algo sobre mim havia sido comentado na conversa entre meus irmãos, e isso, está afetando profundamente o meu relacionamento com Tymo.




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Re: Os represeiros de Correrrio

Mensagem por Cecilian Blackwood em Qui Dez 21, 2017 1:42 am

Tristan Blackwood



Os cavalos estavam bem alimentados e os vintes soldados selecionados por Ethan se colocavam a postos. Carreguei meu filho para perto dos cavalos, aproximando-me de meus irmãos que me reverenciaram; Cecilian elevou minha mão direita aos seus lábios e beijou, declarando sua total fidelidade ao meu futuro reinado, que até então estava apenas aos ouvidos que se mantinham dentro de Correrrio. Logo, seria algo que chegaria aos ouvidos da realeza. Até lá, teríamos aliados suficientes para declarar que ninguém mais pisaria naquelas terras para nos roubar e manchar nossos rios de sangue.

Cecil pegou meu primogênito nos braços e o beijou levemente na testa como se quisesse manter a lembrança mais viva durante a viagem. Enquanto ela o mantinha em seu colo antes de partir, despedi-me de Ethan e Tymo, abraçando-os. E por último, tomei meu filho novamente nos braços e beijei Cecil na testa como sempre fiz.
-Deuses Antigos ouvi-los! – Declarei para todos.
-Deuses Antigos ouvi-los! – Todos responderam.

Vê-los partir alegrou o meu coração. Estavam dispostos a seguirem com o que havíamos planejado e eu tinha fé em nossos Deuses que eles ouviriam nossas preces e que essa era a vontade deles para conosco.

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Re: Os represeiros de Correrrio

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