A Volta do Dragão

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A Volta do Dragão

Mensagem por NPC em Sex Jan 05, 2018 11:19 pm

Viserra

Amanhecia na Fortaleza Vermelha, Viserra havia levantado cedo pois o sono lhe havia escapado antes que os raios de sol tocassem o castelo, estava no Bosque Sagrado, gostava das árvores, o cheiro de carvalho molhado pelo sereno e o canto que os pássaros davam quando amanhecia, estava com os cabelos um pouco longos do que costuma deixar, vestia um vestido branco com uma capa de veludo vermelho por cima, não havia escolhido bem suas roupas, só sentia que deveria andar para respirar.

Ainda era duro a morte de seu amado pai, o sentimento de vazio, perda ainda estava enraizado dentro de si, agora com seus irmãos em guerra a dor se expandia por todo o seu corpo as raízes das árvores no chão, cada vez mais fundo.


- Por que? – perguntava com a voz tão baixa que chegava a sussurrar, lágrimas desciam pela pele branca, havia chorado por um longo tempo, agora que era rainha teria que aprender a segura-las em público – Por que teve que nos abandonar papai? Valerion e Maegelle estão em guerra, a mamãe.... – as palavras não conseguiam sair de sua garganta, parecia que havia um nó as prendendo, um nó que a machucava – Que os 7 nos protejam...

Olhava a paisagem dominada pelo amanhecer, gotículas de água descendo pelas folhas, o céus aos poucos tomando as cores de amarelo, laranja e violeta. Não muito tempo depois um soldado da Guarda Real veio ao seu encontro.

- Minha senhora, o Rei Valerion pergunta por ti – o homem permaneceu ali esperando que Viserra o acompanhesse de volta, houve muitas confusões em Porto Real, o povo se revoltava cada vez mais por conta das fossas de dejetos, seu marido e seu tio, agora Mão do Rei planejavam mais e mais as investidas militares, uma noite a jovem lhe aconselhou a não usar mais a Guarda Real contra o povo e sim resolver o problema de outra forma, fora o suficiente para que Valerion se revolta-se e grita-se com ela, a chamando de idiota e dizendo que o povo deve nos temer e obedecer.

Ao chegar na mesa do café encontrou seu marido e seu tio Sor Viserys, comiam na mesa recém posta, quando sentiu o cheiro dos ovos cozidos e da linguiça sentiu um pouco de fome.

- Minha cara Viserra, não deveria andar por pelos arredores sem guardas em suas costas, não sabemos quem pode estar do seu lado ou dentro da parede, lembre-se que o assassino de seu pai ainda está a solta e qualquer um de nós pode ser o próximo alvo dele – disse Viserys quando a rainha se sentou a mesa.

- Mas não estava sozinha, Sor Theon estava em meu encalço, junto com Sor Harry, por mais que estivesse distraída não podia não ouvir o baralho de suas armaduras – a jovem esboçava um pequeno sorriso simpático.

- Mas todo cuidado é pouco minha querida, odiaríamos perde-la, você, que é a luz em meio a essa escuridão que estamos enfrentando, o povo se revoltando, sua irmã se tornando uma possível traidora...

- Eu não acredito que Magelle seja uma traidora... – as palavras escaparam da boca de Viserra antes mesmo que ela tenha tido o controle delas.
Por um breve momento houve um silêncio, todos os olhos estavam postos na jovem rainha que se encolhia pois sabia que havia escolhido as palavras erradas, Valerion a olhava com um olhar frio, mas o Viserys mostrava um certo sorriso zombeiro.


- Eu entendo que você ama sua irmã, eu mesmo não consigo acreditar que a sua mãe tenha ido para o lado dela, minha irmã Vaella, que sempre foi a voz da razão e da sabedoria, mas os tempos são outros minha senhora, temos que nos unir, mostrar o que acontece quando se acorda um dragão – o sorriso havia sumido dos lábios de seu tio e o olhar era um pouco assustador para Viserra, a mesma se limitou a concordar com a cabeça e sair apressadamente mal tocando em sua comida.


Algumas lágrimas brotavam de seus olhos, se controlava para não chorar, mantinha a cabeça baixa e andava rapidamente, não sabia ao certo para onde estava indo, quando levantou a cabeça reconheceu que estava indo para o seu quarto.

Ao chegar se desfez em lágrimas, se sentia sozinha, sua irmã não estava mais ali, nem sua mãe que eram suas conselheiras e seus maiores pilares, nem seu irmão Gaemon que a fazia rir quando estava triste ou seu pai, que lhe acariciava os cabelos prateados a fazia se sentir bem, rezava todos os dias mas suspeitava que os 7 não a escutavam mais, a cada dia que passava se seguia com Valerion a tomando a noite e indo lidar com o povo de dia, era frustrante.

Algum tempo depois os servos lhe trouxeram comida, mesmo não sentindo fome comeu sem pestanejar, sabia que não comesse seu marido ficaria irado e possivelmente os castigariam por não ter comprido com o seu dever.


Já depois que o sol se pôs seu tio veio ao seu quarto, estava com um gibão negro com o dragão vermelho de três cabeças no peito, nem parecia que algum tempo atrás era Comandante da Guarda Real que vivia com sua armadura reluzente pra cima e pra baixo.


- Minha doce Viserra, me parece triste – disse o homem com um semblante triste se aproximando lentamente – Deve ser bastante solitário já que seus irmãos não estão aqui, ou a sua mãe não é verdade? – a viu confirmar com a cabeça – Eu tive uma ideia, a Casa Tyrell está organizando um torneio em honra a Lady Helena, irmã mais nova do Lorde Luthor, o novo soberano da Campina, por que não vem comigo para as festividades? – a rainha pode ver que os olhos violetas do tio se escureciam com a ideia, as vezes aqueles olhos lhe davam medo.

- Valerion irá?

- Claro, ele é o novo Rei, deve mostrar imponência e que tudo está na mais perfeita ordem, mesmo que seja somente uma máscara – as mãos ásperas e um tanto frias do tio se estenderam ao encontro das da mulher que se sentava no encosto da janela – Seria gratificante se Vossa Majestade fosse, será divertido.

Viserra olhou para o homem por alguns instantes antes de esboçar um sorriso terno e concordar com a cabeça.

- Ótimo, peço que se prepare, vamos amanhã bem cedo, possivelmente vamos chegar no segundo dia de competição, planejo ganhar a Coroa do Amor e da Beleza para pousa-la em sua majestosa cabeça, assim todos verão que é a mulher mais bonita do 7 Reinos – Viserys falava com certa empolgação enquanto andava em direção a porta.

O rosto da jovem rainha se iluminou um pouco com a expectativa de um torneio, sempre adorou essas festividades, as competições, a música, as danças, as pessoas que estariam lá, tudo seria novo para ela, por muito tempo uma fagulha de fogo se ascendeu dentro de si.
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